O governo quer privatizar a Eletrobras e todas as empresas públicas que compõem o sistema elétrico nacional.
O que você acha disso?

SOU CONTRA a entrega do patrimônio brasileiro por meio da privatização.

 

SOU A FAVOR da privatização e dos consequentes aumentos na tarifa de energia.

Obrigado!
Seu voto foi armazenado com sucesso.


VER RESULTADO PARCIAL

Resultado Parcial

0

SOU CONTRA a entrega do patrimônio brasileiro por meio da privatização.

 
0

SOU A FAVOR da privatização e dos consequentes aumentos na tarifa de energia.

VOTAR NOVAMENTE
26/03/2018 10h51

Presidente da Eletrobras defende privatização, mas público contesta

A privatização da Eletrobras voltou a ser tema de debate no 8º Fórum Mundial da Água. O presidente da empresa, Wilson Ferreira Júnior, apontou a desestatização como solução para a economia e a preservação hídrica. A expectativa é que o projeto seja votado ainda este ano no Congresso Nacional. O público presente no painel, no entanto, mostrou-se contrário à opinião do presidente.

“A privatização estabelece uma obrigação no caso da Eletrobras, que é o aporte de R$ 350 milhões por ano ao longo de 30 anos. Vamos aumentar esse volume em cerca de 17 vezes em termos de atendimento”, afirmou Ferreira Júnior. O projeto de desestatização da empresa foi anunciado pelo governo em agosto de 2017 e o texto, encaminhado ao Congresso no fim de janeiro. A União tem a expectativa de obter cerca de R$ 12 bilhões com a venda. A previsão é que a votação na Câmara dos Deputados ocorra até o fim de abril.

A sociedade civil, porém, ainda resiste à ideia. Ontem, ao longo da discussão com o presidente da empresa, na qual foram colocadas em pauta a gestão de crises e as estratégias para as bacias hidrográficas, o público fez críticas, alegando que “aquela não era a solução”. Para Ferreira Júnior, o debate se mostra “muito importante”, já que a Eletrobras é a única companhia que opera em todo o território nacional na transmissão e na produção de energia. “Um terço da geração brasileira é de responsabilidade dela”, comentou.

Entre os problemas principais que poderiam ser solucionados com a privatização, segundo Ferreira Júnior, está a revitalização do Rio São Francisco, da subsidiária Chesf (Companhia Hidro Elétrica do São Francisco), que opera no Nordeste. “O São Francisco ocupa 8% do território brasileiro. É uma bacia muito importante, porque envolve sete estados e responde por uma população no entorno da área de influência de 18 milhões de pessoas”, ressaltou o presidente. “O rio não serve apenas para a geração elétrica, mas também fornece água para consumo, irrigação, navegação. Nós estamos falando realmente de um rio que tem importância.”

O São Francisco, no entanto, sofre com problemas ambientais, como poluição, assoreamento e redução de volume. “(Com a privatização) continuamos o trabalho relacionado, principalmente, ao controle de recursos de água, com equipamentos modernos, mapeando retiradas de água e estudando alertas para secas críticas”, garantiu.

Rejeição
No painel que discutiu a relação entre direitos humanos e água, David Boys, secretário-geral adjunto do Serviço Público Internacional, criticou as privatizações no mundo. “Prestem atenção no que vocês estão fazendo! Para nós, o lucro não equivale com direitos humanos, especialmente para os mais pobres”, argumentou. De acordo com Boys, quando há interesse no capital, os investidores “vêm antes dos direitos da natureza”. Outro problema, segundo o especialista, é a falta de transparência e de investimento. “Para nós, então, qual deve ser o principal mecanismo? Ter uma empresa pública forte, com as ferramentas necessárias para isso”, completou.

R$ 12 bilhões
Valor que o governo espera obter com a venda da empresa

O desastre de Mariana
O maior desastre ambiental da história do Brasil, a ruptura da barragem do Fundão, em Mariana (MG), foi debatido no 8º Fórum Mundial da Água. O objetivo foi apresentar soluções sustentáveis para restaurar ecossistemas terrestres e fluviais. O acidente despejou no Rio Doce 50 milhões de toneladas de resíduos de uma das maiores minas de ferro do mundo. A inundação de lama tóxica varreu o distrito de Bento Rodrigues e causou a morte de 19 pessoas.

O procurador-geral de Minas Gerais, Onofre Alves, afirmou que o problema foi maior do que todas as instituições envolvidas estavam preparadas para enfrentar. “Após esse episódio, cheguei a uma conclusão: não existe uma solução absoluta no direito brasileiro para lidar com um desastre ambiental tão grande”, ressaltou. Segundo ele, logo após o ocorrido, os juízos não tinham a menor ideia do que fazer, e isso impactava no processo de recuperação.

O grande acordo inicial era buscar uma forma de dirimir o problema, de acordo com Onofre. “Foi necessário abdicar das soluções que existiam até então, porque elas causavam uma paralisação econômica, por meio de sequestro de dinheiro”, disse. Ele explicou que uma paralisação econômica geraria perda de emprego, e o dinheiro iria para um fundo em vez de circular pela sociedade.

“Decidimos, então, pegar o maior volume possível de recursos das empresas responsáveis para ter eficácia máxima possível. A melhor alternativa era deixar a empresa de pé, sabendo da porcaria que ela fez e que não dava conta de consertar”, argumentou.

Lucinha Teixeira, presidente do Comitê da Bacia do Rio Doce, explicou que o papel do grupo é buscar soluções para os problemas que existiam antes do desastre e os que surgiram após o episódio. De acordo com ela, a crise de abastecimento tinha sido prevista para acontecer somente em 2030, mas, no momento em que a barragem se rompeu, o Rio Doce vivia a pior seca em 84 anos.

Como solução, ela citou o planejamento de saneamento e abastecimento de água, conforme o local se recupera e é reconstruído. “Acredito que será a primeira bacia no país com 100% dos municípios com esse planejamento”, comentou. Ela apresentou dados mostrando que foram investidos R$ 4,6 milhões num programa de recuperação de nascentes, com priorização das áreas vulneráveis à mudança climática.

Olho no subterrâneo
Cerca de 71% do planeta são cobertos por água. Porém, dessa grande quantidade do recurso, apenas 2,6% é água doce e potável. Nesse número, que já é pequeno, só 28% estão na superfície — em rios e lagos. O resto fica em geleiras e no subterrâneo. Com a escassez de água no mundo, começou-se a investir pesado na captação das águas subterrâneas, como uma possibilidade de frear a crise hídrica.

Exemplo do tamanho do manancial embaixo dos nossos pés é o aquífero de Alter do Chão. Pesquisas das universidades federais do Pará e do Ceará estimam que o reservatório subterrâneo abrigue mais de 86 mil km³ de água doce, o que seria suficiente para abastecer toda a população mundial cerca de 100 vezes. O problema na captação desse e de outros aquíferos no planeta é a falta de informação sobre essa água. Há o risco de a retirada causar, por exemplo, a morte de rios superficiais.

Os níveis e a qualidade dos recursos que vêm dessas minas foram tema de debate no 8º Fórum Mundial da Água. Para o austríaco Pradeep Aggarwal, da Agência Internacional de Energia Atômica, ter tamanha disponibilidade hídrica é muito bom, mas pode ser um perigo no futuro. “Não sabemos se essas águas são boas e se, ao tirarmos, elas estão sendo recolocadas”, afirma.

No Brasil, a gestão das águas subterrâneas fica nas mãos dos estados onde estão as reservas. As agências reguladoras dão as outorgas para construção de poços artesianos, mas estima-se que 85% dos que funcionam no país sejam ilegais, conforme estudo da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas). “O acesso à água é um direito universal, mas a captação de poços artesianos esbarra nisso, porque, se eu retiro muita água, minha vizinha vai acabar sem”, explicou Everton Oliveira, secretário executivo da entidade.

“O acesso à água é um direito universal, mas a captação de poços artesianos esbarra nisso, porque, se eu retiro muita água, minha vizinha vai acabar sem”
Everton Oliveira, secretário executivo da Abas

No foco das políticas públicas
Em discussão sobre a importância de o foco das políticas públicas internacionais ser sobre a água, o governador do DF, Rodrigo Rollemberg, destacou que qualquer novo investimento no mundo deve levar em conta o impacto que terá sobre os recursos hídricos. “É o elemento mais importante para o futuro da humanidade”, afirmou.

Ele ressaltou que a crise hídrica na capital, a pior da história da cidade, trouxe amadurecimento e mudança nos hábitos dos brasilienses “de evitar o desperdício e usar mecanismos mais eficientes e econômicos em vista da conservação. Usar a água de forma moderada e racional”. Segundo Rollemberg, o reservatório do Descoberto passou dos 70%, e o de Santa Maria está próximo dos 50%.

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, definiu a situação dos recursos hídricos como crítica. De acordo com ele, o cenário é em decorrência, principalmente, da mudança climática, do desenvolvimento sem sustentabilidade e das dificuldades de gestão. “Precisamos tratar os problemas de forma sistêmica e integrada”, defendeu.

Captação
O governador também citou a entrega das duas novas captações de água de Bananal e do Lago Paranoá. “Temos outra grande obra em andamento, a de Corumbá. Revitalizamos canais, melhoramos métodos de irrigação, estamos recuperando nascentes”, destacou, para exemplificar o combate à crise hídrica.

Fonte: Correio Braziliense


DIVULGUE ESSA CAUSA!